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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

MOTORISTAS DE CANDEIAS DO PASSADO.



Às vezes, eu dou uma olhada no retrovisor da estrada da minha vida e vejo o nome de certos amigos que o tempo não consegue desfazer desses guardados da minha memória.
---- Hoje, lembrei-me de alguns motoristas de caminhão nas décadas de 50/60 em Candeias, quando nunca os vi dirigindo outros veículos, são eles:
----Geraldo do Emídio, era o motorista da Casa Bonaccorsi e dirigia um Chevrolet 1946.
---- Henrique Pinheiro era o motorista do Sr. João Sidney de Souza, e a prioridade dos seus transportes eram dormentes que o Sr. João Sidney fornecia à rede ferroviária; o caminhão era, também, um Chevrolet, 1946. –
---- Zé Maria, era proprietário de um Chevrolet 1951 e João do Artur, tinha também, um Chevrolet 195l. Esses amigos não saiam de Candeias e só trabalhavam dentro do município.
---Havia, ainda, os filhos do Zico do Carrinho, com um Chevrolet 51, Renato e Zé do Zico. –
----Naquele tempo nos parquinhos de diversões que passavam por Candeias, a maior atração era o serviço de alto-falante, que trazia as músicas que então, faziam sucesso. As pessoas aprendiam a cantar as músicas era através dos alto-falantes públicos ou pelo rádio que não era muito comum.
---- Certa vez, Renato do Zico, pagou por um pedido de música num Parque chamado Parque Estrela do Sul, a importância de 20 cruzeiros, quando que um pedido normal seria dois cruzeiros. ------Renato pagou para que o locutor do parque rodasse a música por 10 vezes seguidas para os apreciadores decora-la. --- A música se chamava: OS MANDAMENTOS DO MOTORISTA COM A DUPLA: Sulino e Marrueiro.
Bons tempos!

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

                                  Ouça a música


domingo, 7 de janeiro de 2018

NA MINHA TERRA O SABIÁ NÃO CANTA!


Eu tenho observado em algumas das cidades por onde eu passo, na Zona da Mata e no sul de Minas, quando se reconhece que os políticos são honestos, que não exploram o município com os seus altos salários e nem com as suas falcatruas. Um exemplo é a pequena cidade de Seritinga, no sul de Minas com menos de 2.000 habitantes e tem até iluminação pública solar. A cidade toda bem iluminada e os moradores nem tocam em crise e elogiam a competência e a honestidade do prefeito e dos vereadores amantes da terra onde nasceram.

Eu gostaria muito de ver a minha querida terra Candeias, bem cuidada como Aiuruoca, Maria da Fé, Carvalhos, Luz e muitas outras cujos prefeitos sabem administrar durante uma crise e o povo sabe escolher vereadores dinâmicos e competentes.

Eu gostaria claro, mas não alimento esperanças. O comportamento não só dos políticos de Candeias, mas, também, da maioria dos eleitores dispensa comentários.

Quem conhece a história de Candeias sabe muito bem que Candeias é um município que nasceu em berço de ouro, emancipada orgulhosamente por um Candeense que deu a vida por sua terra. Um médico formado no Rio de Janeiro naqueles tempos de muita dificuldade para se formar em medicina. Ele poderia ter ficado muito rico se não tivesse dedicado tanto a Candeias. No entanto morreu pobre. Hoje a maioria dos eleitores de Candeias e os políticos sem memória a fazem uma cidade pobre jogada às traças.

Ele, o Doutor Zoroastro Marques da Silva, um símbolo candente da história de Candeias, se vivo fosse, naturalmente estaria chorando lágrimas de sangue por ver a sua cidade por si fundada tão desprotegida e ser tão desmazeladamente cuidada por políticos sem filosofia e incompetentes.

Depois das ultimas eleições, vejo que não compensa nem falar mais das mazelas que envolvem Candeias, mesmo porque, cada povo tem o governo que merece. Assim é o rifão.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.




terça-feira, 19 de dezembro de 2017

UM FEITICEIRO CANDEENSE.


As pessoas que têm alguma noção da tabela periódica, naturalmente deverão conhecer alguns símbolos principalmente dos metais mais conhecidos. Saberá, por exemplo, que Al é o símbolo do alumínio; Ag é o símbolo da prata, Fe é do ferro; Au é do ouro; Zn é do zinco Pt é da platina; e Cu é do cobre.

---- Cu pode ser também, segundo os dicionários do nosso vernáculo, o fundo de uma agulha. Mas ninguém se lembra disso. As pessoas têm um sinônimo pejorativo na cabeça; ou melhor, um cu diferente na cabeça. Portanto, eu quero dizer aos meus amigos que eu não estou sendo pejorativo; eu estou me referindo ao símbolo do cobre;  e se a palavra for entendida por buraco, que seja o buraco do fundo da agulha.

Mas mudando o assunto de pau para cavaco, dou uma mergulhada no oceano das minhas memórias e encontro o meu avô, nascido no ano de 1884 e falecido em 1960.

Meu avô cujo nome era João José de Castro, foi muito conhecido por João Delminda. Acontece que a minha bisavó se chamava Delminda, dai João da Delmina que virou João Delminda; vieram os filhos, Zé Delminda, meu pai, João Delminda, Wantuil Delminda meus tios e Chico Delminda, o caçula dos meus tios, com mais de oitenta anos, felizmente ainda vivo. Superficialmente éramos conhecidos como a “Família dos Delmindas”.

Era o  meu avô muito conhecido pelo seu linguajar espontâneo e sua maneira franca de ser. A liberdade de pensamento estava contida no seu comportamento aberto. Isso fazia parte da sua natureza de homem justo e honesto. Assim, muitas das vezes, ele era tido como pessoa rude porque a sua forma de expressar, em determinadas discussões, podia não ser aceita, então, pelos princípios da hipocrisia social. ---- Foi um professor autodidata muito competente; era sempre visto com um livro nas mãos e discutia com qualquer um, quaisquer assuntos e não se enrolava. Não era supersticioso e sim muito realista. Não se envolvia com assuntos sem base na razão ou no real conhecimento. Portanto, não temia coisas inócuas.

Na Rua Pedro Vieira de Azevedo, esquina com a Rua Maria Rita Lara, descendo para o Bairro Rio Branco, havia ali um barranco e nesse barranco uma casa de construção rude e pobre, onde residia um senhor negro, idoso, olhar severo, cabelo e barba grisalhos. Enfim, era uma boa mostra de um “preto velho”. Chamava-se Joaquim Fortunato e o povo de Candeias tinha muito medo dele dada as suas feitiçarias, seus trabalhos espirituais relacionados com o demônio.

Joaquim Fortunato era conhecido como um feiticeiro eficiente e temido pelas pessoas crentes nessas questões. As pessoas que tinham medo de feitiço sequer passavam defronte a sua casa, Muita gente o procurava à noite ou nos encontros em altas noites no Cruzeiro do Josino localizado no alto da serra.

Meu avô tinha uma chácara cuja entrada ficava logo abaixo da casa de Joaquim na Rua Maria Rita Lara, cujo acesso o levava a passar à porta de Joaquim Fortunato.

Certo dia, numa dessas passagens, Joaquim chamou meu avô e lhe disse: “João, eu tô sabeno que ocê andô falando de mim, que sou um pobre coitado, que num sei de nada e dá risada dos meus trabaio. Eu quero só te fala João, cê daqui pra frente toma cuidado cumigo, se ocê tem um santo de fé pode começa a rezá porque eu vou te ajeitá”. ----

Meu avô deu uma rizada com vontade e disse: falei Joaquim e repito para você, falei que você é um charlatão que vive tomando dinheiro dessa gente humilde e ignorante que acredita nessas suas mentiras e palhaçadas. 

Diante disso, Joaquim ficou enervado e arrematou: “Ocê vai vê! O que qui é paiaçada”.  

Nesse momento meu avô disse-lhe, quem vai ver é você, e abriu as calças mostrou a bunda: “Olha aqui, seu feiticeiro de merda, ponha o seu feitiço aqui no meu cobre e se eu sair dando o cobre por ai, eu posso vir a acreditar nessas suas patacoadas.

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

sábado, 9 de dezembro de 2017

CANDEIAS! NO RETROVISOR DA MINHA VIDA.


Hoje, 08 de dezembro de 2017, eu dando uma olhada no retrovisor da estrada da minha vida, vejo que fazem 59 anos que a minha turma de escola, abaixo mencionada, se reunia para receber o certificado de conclusão do curso primário. Isso aconteceu no dia 08 de dezembro de 1958.

Naquele tempo uma formatura do Grupo escolar Padre Américo (Hoje Escola Estadual Padre Américo) era uma grande festa. E a nossa festa não foi diferente.

Realmente, diferente era a filosofia escolar. Embora as condições das escolas fossem fracas e deixassem a desejar, os alunos saiam mais bem preparados. A disciplina era rigorosa e a ação da professora não era somente o ensinamento escolar. A professora era considerada “segunda mãe” e o que uma professora falava, estava falado; fato extremamente importante para um aluno no verdor dos anos. Interessante, e eu sinto isso hoje, é que o relacionamento entre aluno e professora era muito diferente, era um relacionamento bem mais familiar do que se vê nos dias atuais.

As provas eram muito mais difíceis do que atualmente. Não havia recurso para quem fosse reprovado. Eram duas provas: oral e escrita. A prova oral era aplicada por uma professora diferente daquela que teria sido a doutrinadora. E a prova escrita era corrigida na cidade de Formiga. Tínhamos que ficar aguardando o resultado. Quem não fosse aprovado teria que repetir o ano. Lembro-me, e jamais me esquecerei de que no ano de 1956 a minha classe foi praticamente toda, reprovada, “bombardeada”, graças aos problemas de transferência de uma professora.

Nesse dia da nossa formatura, o cinema ficou superlotado, o nosso paraninfo foi um deputado vindo de Belo Horizonte, muitos discursos e monsenhor Castro esnobou o seu discurso dentro da sua maravilhosa eloquência e o seu vasto poder de oratória.
Depois disso, cada um tomou o seu rumo. Uns ficaram em Candeias, outros foram para fora a fim de continuar os estudos; e outros acompanharam os seus pais indo morar em outros lugares.

Felizmente, a nossa professora do ano de 1958 que assinou o nosso certificado, ainda é viva e está em Candeias. Trata-se da senhorita, Maria do Carmo Bonaccorsi. – Também recebeu a assinatura da então diretora, já falecida, a senhora Maria do Carmo Alvarenga e do Inspetor, Sr. Nestor Lamounier. ---- O inspetor era escolhido e nomeado pela política e poderia ser um leigo. O Sr. Nestor Lamounier era mecânico e teria sido nomeado Inspetor escolar, como muitos outros constantes na história da educação candeense, como Miguel Albanez e num tempo mais remoto, o Sr. Américo Paiva, um grande benemérito do ensino em Candeias.

Hoje, desse tempo só resta lembranças. Estamos idosos. Tornamo-nos avós e bisavós; outros já faleceram ou se encontram doentes.

Eu quero nesta oportunidade, abraçar a todos os meus companheiros dessa confraria, e àqueles que já foram levados por Deus, recebam também o nosso abraço, onde quer que estejam.

Alunos que receberam o certificado de conclusão do curso primário no dia 08 de dezembro de 1958 no Grupo Escolar Padre Américo, sendo professora, a Srta. Maria do Carmo Bonaccorsi, Diretora, Sra. Maria do Carmo Alvarenga, e Inspetor, Sr. Nestor Lamounier:

Antônia Aparecida Vilela, Antônio Italo Freire, Armando Melo de Castro, Clarice Alvarenga, Helio Melo da Silva, Jadír Melo, Jesus Alves Resende, João Faria, José Gonçalves, Márcio Miguel Teixeira, Marlene Aparecida Martins, Marli dos Reis Alves, Nelli Manda Ramos Melo, Neri Ferreira Barbosa, Odete Lopes da Trindade, Raimundo Ferreira de Oliveira, Renê Ferreira de Oliveira, Sebastiana dos Santos, Sebastião Alves Resende, Silvio José Rodrigues, Silvio Lopes da Silva, Teresinha Luiza Alves, Teresinha Mori, Zélia Alves Alvarenga e Zilene Vilela Alvarenga.

Eu gostaria muito de receber notícias de todos esses amigos e ou familiares.


Meus colegas de outros anos do curso estão nesta página do nosso Blog CLIQUE AQUI :
https://candeiasmg.blogspot.com.br/2011/01/meus-colegas-de-escola.html


Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos